domingo, 17 de outubro de 2010

Depois do mel a Produção da castanha vai cair 70% no RN.

Pelo menos 70% da safra de castanha de caju neste ano está prejudicada no Rio Grande do Norte devido à falta de chuva. A situação é grave e coloca em risco toda a cadeia produtiva da fruta, que no ano passado registrou uma das melhores safras da história. As precipitações em 2010 foram muito abaixo da média em todas as regiões, o que impediu a florada do cajueiro, fazendo cair drasticamente o aparecimento do fruto.
No Oeste, por exemplo, enquanto em 2009 choveu acima de 700 milímetros, neste ano não passou dos 300 milímetros na microrregião do Apodi, onde existe uma grande produção da castanha tanto no município de Apodi, como em Caraúbas e Severiano Melo, que já fica na divisa com o estado do Ceará.
De acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Simplício Holanda, que está cedido ao Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), a produção de 2010 deve ficar entre 15 e 20 mil toneladas. No ano passado, a colheita da fruta (castanha) foi de 43 mil toneladas, um feito histórico para o Estado. "A média do Estado tem oscilado entre 30 e 40 mil toneladas, neste ano talvez cheguemos a 20 mil", disse Simplício.
Embora a situação seja crítica, o pesquisador não perde a fé. De acordo com ele, algumas áreas estão reagindo bem à falta de água, como na Serra de Sant'anta, onde ele acredita que a produção não deva cair nem 50%, assim como no Agreste. "O Oeste é quem vai perder mais, chegando ao máximo (70% de perda). Na região de Severiano Melo, fronteira com o Ceará, a situação está crítica, tem gente dando xiquexique ao gado", contou o pesquisador.
A falta de chuva também reduziu a produção da castanha em outros estados do Nordeste. Entre os dias 8 e 9 deste mês, cajucultores nordestinos se reuniram na praia de Pirangi do Norte, onde está localizado o maior cajueiro do mundo, para discutir sobre a cadeia produtiva do produto. Segundo Fátima Torres, presidente da Cooperativa Potiguar de Apicultura (COOPAPI), representante potiguar no encontro, o RN é quem vive a pior situação, seguido do Ceará. "Dos quatro estados que participaram, RN, CE, PI e BA, quem está melhorzinho é a Bahia, onde teve mais chuva", disse.
Ela explicou que a cajucultura do Estado sofre com a falta de água pela forma como estão distribuídas as plantações das fruteiras. "Grande parte dos nossos cajueiros é do tipo gigante e demanda uma quantidade maior de água. Só consorciando com o cajueiro-anão-precoce e trabalhando a cadeia produtiva integrada, unindo com a apicultura é que conseguimos enfrentar crises como estas", complementou Fátima Torres.
Cadeia produtiva do caju está se modificando
A cadeia produtiva do caju vem se transformando a cada dia, com o aproveitamento de todo o seu potencial. Nos últimos anos, os produtores têm aproveitado o pedúnculo (ou caju), que era todo desperdiçado.
Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) Simplício Holanda, a redução na perda do fruto vem sendo reduzida em 1% ao ano. "Na década de 70 se perdia tudo, hoje, existe uma briga dos produtores pelo fruto", explica.
Fátima Torres, da Coopapi, conta que as cooperativas estão envolvidas no processo de aproveitamento do pedúnculo, se organizando para iniciativas como a polpa de fruta e a ração do caju, que, segundo ela, é um ótimo alimento para os animais. "Precisamos estar preparados para enfrentar momentos de seca como este, quando não há forragem."
Atualmente, já existem várias minifábricas de produção da ração no Rio Grande do Norte, como na comunidade de Córrego, em Apodi, Santo Atonino, em Severiano Melo, Portalegre, Assu, Macaíba e Pureza. O município de Caraúbas também possui uma estrutura, só que bem maior.
Outro projeto apontado por Fátima Torres foi o "Cajusol", realizado pela Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Emparn, que tem como meta implantar três unidades de beneficiamento do caju. No Sertão Apodi, para os municípios de Caraúbas, Apodi e Severiano Melo; na região Açu/Mossoró, para atender os municípios de Mossoró e Serra do Mel e, uma terceira unidade no Seridó, voltada para os municípios de Lagoa Nova e Cerro-Corá.
O projeto, que envolve 12 pesquisadores conta com o Financiamento de Estudos e Projetos (FINEP), por meio da Fapern, com valor total de R$ 2,5 milhões, com período de execução até 2012.

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